domingo, fevereiro 25, 2007

pela estrada nacional



Passava eu na estrada pensando impreciso,
        Triste à minha moda.
Cruzou um garoto, olhou-me, e um sorriso
        Agradou-lhe a cara toda.
Bem sei, bem sei, sorrirá assim
        A um outro qualquer.
Mas então sorriu assim para mim...
        Que mais posso eu querer?

Não sou nesta vida nem eu nem ninguém,
        Vou sem ser nem prazo...
Que ao menos na estrada me sorria alguém
        Ainda que por acaso.

                                -- Fernando Pessoa

3 comentários:

Anónimo disse...

a criança que fui chora na estrada, deixei-a lá quando vim ser quem sou. agora que sei que o que sou é nada, volto atrás para a buscar onde ficou... mas fica um dia a vontade de mais, o calor de um tremor futuro... procura, pelas estradas as crianças que esperam um retorno mais sábio...

vague disse...

Essa não é a recta do Cabo? :)

Sara Mendes disse...

"As nuvens são sombrias
Mas, nos lados do sul,
Um bocado do céu
É tristemente azul.
Assim, no pensamento,
Sem haver solução,
Há um bocado que lembra
Que existe o coração.

E esse bocado é que é
A verdade que está
A ser beleza eterna
Para além do que há."

Fernando Pessoa