quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Comparativo iPod nano vs. Creative Zen

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A ideia da minha cara-metade era oferecer-me um iPod pelo Natal. Contudo, encontrar um iPod à venda em Portugal não é tarefa facil, pelo que combinamos que levariamos a alternativa que nos pareceu mais próxima: um Creative Zen MicroPhoto (8GB).

Felizmente que a FNAC permite a devolução de equipamento, caso o cliente não esteja satisfeito. A minha experiência com o Zen levou-me a considerar essa hipótese, e após falar com alguns amigos que usam iPod, acabei por devolver o Zen.

Foi ainda uma espera prolongada, de alguns meses, até que conseguisse ter o iPod nano na mão. Tinha reservado na FNAC do Colombo e no El Corte Inglês, e nada. Tentei reservar na FNAC de Almada, mas eles disseram que nem sequer aceitavam reservas. Por um mero impulso resolvi reservar numa pequena loja Singer, na Av. João XXI, que em poucas semanas me arranjou um. Como nestas pequenas lojas há menos procura, deve ser mais facil ter acesso a este equipamento, em comparaçáo com as eventuais gigantescas listas de reservas das FNACs e similares.

O que me levou a devolver o Zen foram o somatório de alguns glitches que com a utilização deste me fui apercebendo. Primeiro, os phones são pouco cómodos, parecem enormes, e caiem muito facilmente. Depois, por vezes crashava. Pareceu-me que coincidia com pequenas pancadas no aparelho, mas não fiquei com a certeza disso. A ideia de um disco rígido lá dentro, sensível a pequenos toques, assustou-me um bocado. Um aparelho destes, de trazer nos bolsos, de atirar para o sofá, quere-se robusto! Finalmente, e isso foi a gota de água, uma música codificada a 256kbps (um extenso mix dos Jazzanova, downloadable a quem comprou o Remixes 2002-2005) apresentava lá para o meio, sempre no mesmo sítio uns drops. Note-se que as specs do Zen dizem que a taxa máxima é para lá dos 320kbps. Acresce que não é possível ver fotos e ouvir música ao mesmo tempo, tal como não há qualquer suporte para Linux, nem sequer o disco do Zen é acessível a partir de Linux!

O iPod nano (4GB) que comprei, aproximadamente pelo mesmo preço do que o Zen, tem sido uma experiência bastante agradável. Os phones são bem mais confortáveis, ainda não ouvi qualquer drop nas músicas, pode-se ver fotos e ouvir música ao mesmo tempo (tal como jogar uns joginhos que aquilo tem), é incrivelmente pequeno, e é robusto a choques. Notei ainda uma interface mais agradável do que o Zen. E sobretudo, a roda e os botões são claramente superiores ao touchpad único do Zen. É uma boa ideia o iPod distinguir fisicamente o clicar nos botões do arrastar do dedo ao longo da "roda" com significados diferentes. Esta "roda" funciona muito bem mesmo. O Zen tem um touchpad, onde se podia tocar para activar botões, ou arrastar o dedo naquela área vertical. Ao transformar toda a interacção a um touchpad torna a coisa menos usável do que a abordagem mista do iPod (touchpad na roda, e 5 microswitches reais). Outra coisa boa no iPod é o botão de hold, que me parece significativamente mais robusto do que o do Zen (parecia que se ia desintegrar a qualquer momento...)

Contudo, não há bela sem senão, e neste caso, para além dos tradicionais elevados preços dos equipamentos Apple (onde os designers são bem pagos), há certas features de que sinto falta no iPod: o Zen dava para colocar um wallpaper, o que permitia personalizar o aspecto da GUI (e por acaso gostava bastante do wallpaper que estava a usar: a capa de uma das compilações Erotic Lounge); o Zen dava para colocar várias bookmarks em músicas, o que para mixes extensos dá jeito, para poder saltar para segmentos específicos do mix; o iPod apenas suporta guardar a posição currente da música mas apenas em ficheiros mp4!

A bateria de lítio que equipa o Zen é facilmente substituível (o Zen tem uma tampinha que ao remover-se dá acesso à bateria, como com os vulgares telemóveis), o iPod nem sequer aparenta forma de se conseguir abrir (sem estragar). Este facto é particularmente grave dado que as baterias de lítio têm uma duração de vida relativamente reduzida, para além de requererem cuidados especiais. Contudo, há uma página no site da Apple com informação relevante sobre este tipo de baterias.

Finalmente, o iPod permite algumas possibilidades interessantes em aberto, tais como a possibildiade de instalar o Podzilla, uma versão do Linux para iPod. E abrindo o iPod ao mundo open source, estamos a multiplicar por várias ordens de grandeza as potencialidades de um aparelho que, em caso contrário, estaria limitado ao (des)interesse da Apple, conforme lhe apercesse, ora apostar em adicionar mais features a modelos antigos, ora a os esquecer e fazer novos modelos. É por estas e por outras que serei sempre adepto do Open Source!

ADENDA: Esqueci-me de mencionar dois extras que o Zen tem e o iPod não. O Zen inclui um receptor de rádio FM e um microfone. O iPod não inclui estas duas features de base, contudo uma grande variedade de acessórios podem ser encontrados, por exemplo aqui. Da experiência que tive com o Zen, apesar de breve, nunca usei o microfone, e a fraca sensibilidade do rádio não me permitia ouvir muita coisa (por exemplo, era virtualmente impossível conseguir ouvir a rádio oxigénio em Lisboa).

(1ª revisão em 8/2/2006)
(2ª revisão em 12/2/2006)

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Metamorfose III

(as duas metamorfoses anteriores podem ser encontradas neste post)

Um dos aspectos mais excitantes da música que actualmente se faz é o recuperar de sonoridades do Jazz, mais ou menos classicista, e introduzi-lo em loops, batidas, e outras manipulações electrónicas. Inclusive, a abertura dos arquivos da Verve tem proporcionado várias colectâneas de remixes de classicos do jazz, nos três volumes Verve Remixed.

Contudo, e desta forma chegamos ao cerne deste post, há casos em que o fluxo criativo circula em sentido contrário, ou seja, um tema com origem na música mais electrónica, é interpretada por uma formação de Jazz acústico.

Neste caso é o tema Eclipse dos Kyoto Jazz Massive [amostra em mp3] interpretada pelos Sleepwalker [amostra em mp3], onde curiosamente o pianista (o fabuloso Hajime Yoshizawa) tem participado em produções dos próprios Kyoto Jazz Massive, tal como dos Jazzanova entre outros.

É o conceito Unplugged aplicado à música electrónica.

Mas pelo menos para mim, considero a versão acústica mais musicalmente "electrizante" do que a versão original electrónica...

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Rescaldo

Houve poucas surpresas na noite eleitoral. Cavaco ganhou à primeira volta por uma unha negra, como já tinha previsto. Alegre teve resultado superior ao esperado, como também tinha previsto.

Do que eu não estava à espera foi: Cavaco com menos de 6 décimas acima dos 50%; Soares a não chegar aos 15% (Jerónimo conseguiu mais de metade do que os votos de Soares); Socrates a sobrepor-se à declaração de Alegre (foi o caso da noite).

A destrambelhada da Ana Gomes lá veio pedir a cabeça de Alegre, mas felizmente que Socrates teve o bom senso de arrefecer os animos, apesar do seu conhecido odio de estimação por Alegre.

Sócrates já declarou que foi "sem querer" que se começou a falar no meio da declaração de Alegre. Eu até acredito nele. O problema é que decerto alguém do staff de Socrates sabia que Alegre estava a falar, e decidiu não avisar Socrates. São estes "decisores" que não se conhecem, que não se elegem, que não se sabe bem como chegam às posições que chegam, que representam um verdadeiro perigo para a nossa democracia.

sábado, janeiro 21, 2006

Previsões para as Presidenciais 2006

Irritam-me aqueles comentadores que, ao comentar a noite eleitoral, dizem que como "era previsivel", aconteceu isto e aquilo. Ora bolas, depois de ter acontecido, tudo é mais ou menos previsivel.

Por isso irei escrever aqui, hoje véspera das eleições, as minhas previsões para o dia de amanhã:

(1) Cavaco irá ganhar à primeira volta, mas com uma margem mínima. Só lá para o final da noite eleitoral (12h-1h) se saberá com segurança isto;

(2) Alegre ficará à frente de Soares por uma margem superior à do que se estava à espera. Alegre fazer-se-á de vítima, dizendo que se não fosse a falta de apoio do partido, teria conseguido forçar uma segunda volta, pelo que a culpa última da victória de Cavaco é de Socrates (ele falará no Socrates, directa ou indirectamente);

(3) Soares irá fazer o seu discurso de victória-virtual, pois a sua candidatura não pretendia na realidade ganhar (dirá ele), mas sim gerar discussão, e impedir que Cavaco ganhasse como "um passeio na Avenida da Liberdade" se tratasse (aspas são palavras do próprio Soares, quando decidiu candidatar-se). Soares irá reclamar para si, como sempre, o lugar de Pai da democracia Portuguesa;

(4) Jerónimo ficará à frente de Louçã, e irá deitar a responsabilidade da victória da "direita" nas costas do PS;

(5) Louçã irá anunciar um grande resultado, comparando-o com um outro resultado qualquer do BE, á velha maneira propagandista de extrema-esquerda.

Amanhã veremos o que acontece. Depois prometo "postar" um comentário comparando as estas previsões com o que realmente aconteceu.

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Gilles Peterson



Tenho estado a sacar frenéticamente shows de radio Soulsearching deste site. Foi durante a audição de um deles que ouvi referência ao programa de rádio que Gilles Peterson mantém na radio 1 da BBC. Pelo que ouvi da edição de 8 de Janeiro, estou *maravilhado*. Caso para dizer, abusando de um cliché, que isto é como as cerejas: vêm aos pares!

terça-feira, janeiro 10, 2006

Still Soul Searching...



Mais uma edição do programa de rádio da Compost — Soul Searching de Michael Rüetten —, já referido num post anterior, está disponível neste site em MP3 de boa qualidade. Tem a participação de um mix de Ian Simmonds, e termina com uma suite do último album de Kate Bush (Aerial).

UPDATE: Arquivos de programas anteriores podem ser encontrados nesta pagina!

domingo, janeiro 01, 2006

Coisas várias



(1) Antes de mais, um * Bom Ano Novo * a quem visite este blog!



(2) Durante um DJ set do Jürgen no Clube Mercado dos Jazzanova ouvi um remix fantásico do tema Magic Number de Herbie Hancock (já referido num post anterior). Após algumas buscas, encontrei aqui o dito remix ("Disco Magic" de Secret Wisdom), num vinil de 12" (clip em mp3).

   

(3) Encontrei neste site um DJ set do Jürgen, sendo possivel descarrega-lo (formato RealAudio). Só é pena estar poluido com a voz de um animador qualquer... O set começa logo com um interessante remix de um clássico de Jazz ("Just a little lovin'" de Barry Mann e Cynthia Weil). Após algumas buscas, lá encontrei o remix no site da editora Sonar Kollectiv (clip em mp3).

sexta-feira, dezembro 30, 2005

Soul Searching



Tem estado este tempo todo bem debaixo do meu nariz, na página de entrada da Compost Records, um link para o Soul Searching Radio Show. Muito bom! Infelizmente apenas têm a última emissão. Na semana a que escrevo isto, a edição disponível do programa é a 92, que tem como convidado especial, responsável por uma das duas horas do programa, Rainer Trüby (dos Trüby Trio). No site do programa é ainda possível ver as playlists de todas as emissões, desde a primeira.

A emissão está disponível em formato RealAudio, mas com a preciosa ajuda do MPlayer consegui fazer um dump do programa para um WAV e depois para um MP3 (não, não tem nada a ver com o ridículo nome da campanha de Soares...), usando o LAME.

terça-feira, dezembro 27, 2005

Prenda de Natal



Aproveitando a promoção da Compost Records de colocar os seus CDs ao módico preço de 8€, ofereci a mim mesmo pelo Natal o conjunto de cinco CDs acima ilustrados :D

Nicola Conté

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Este senhor que estão aqui a ver do lado esquerdo da "arroba" é nem mais nem menos do que Nicola Conté, o artífice por detrás do seminal Jet Sounds. O Clube Mercado faz mais uma vez das suas ao traze-lo no próximo dia 7 de Janeiro. Absolutamente imperdível!

Não sei em que formato actuará, se com uma banda ao vivo como aconteceu quando veio cá a um memorável hype@meco, ou como DJ. (espero que seja da primeira forma...)

domingo, dezembro 18, 2005

Jazzanova: o evento

   

Casa cheia no Clube Mercado para ver e ouvir Jürgen von Knoblauch dos Jazzanova, num DJ set que durou até às 5 e meia da manhã. Não dei pelo tempo passar; o DJ set foi *fabuloso*. Tivemos ainda direito a três encores: de cada vez que acabava um set, os resistentes a essa hora do fim manifestavam-se ruidosamente, e lá ia o Jürgen pescar mais um disco de vinil ao caixote.

É a terceira vez que o(s) vejo a actuar. A primeira foi num hype@meco há uma data de anos, em que me lembro que estavam pelo menos dois elementos dos Jazzanova (um deles era seguramente o Alex Barck). A segunda foi no Club Lua, este ano, com apenas o Jürgen . Uma das coisas mais impressionantes, que reparei nestas duas últimas vezes, foi as transições entre as músicas. Por mais que me esforce a ver atentamente o que ele faz na mesa de mistura, não consigo perceber onde duas faixas consecutivas se sobreepoem, quando começa uma e quando acaba a outra (excepto em rarissimas excepções onde não há intenção de manter a continuidade).

Saí do bar (e passei grande parte do Domingo assim) com um remix de uma música dos anos 80 de Herbie Hancock: Magic Number, do album homonimo de 1981. Não resisti em procurar na net pelo dito album, e já que não encontrei o remix, fiz eu mesmo um! O que se passa é que há um ostinato de piano no início do minuto 4 extremamente catchy. O problema é que no tema original de Hancock a coisa não chega a durar 40 segundos. O remix que fiz centra-se em repetir o ostinato em loop, adicionando uns outros loops como intro e bridge, e o excelente solo de Rhodes. Infelizmente o Cubase recusou-se a exportar o projecto para audio, pelo que quando o conseguir, irei coloca-lo na minha homepage.

Adiado para um próximo post fica também um autógrafo que conseguiu do Jürgen! :)

sexta-feira, dezembro 16, 2005

My Favourite Movies

Aproveitando este clima de Natal e fim de ano, aqui vai uma lista, aproximadamente ordenada, dos meus filmes favoritos, recentes e menos recentes:

  
   

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Sandwish urbano



Palavras para quê? Um velho edifício, semi-abandonado, ensandwishado entre dois prédio, não demasiado modernos, algures para os lados da Quinta das Conchas.

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Jazzanova no Mercado

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É verdade! Os Jazzanova vêm a Lisboa fazer uma festa de lançamento do seu último album de remixes, nem mais nem menos no nosso bar favorito. Nem mais, é assim mesmo!

Se repararem, por baixo de Jazzanova está escrito The Remixes 2002-2005. Este album vem na sequência do The Remixes 1997-2000, que para mim foi bastante influente, dando-me a conhecer um novo mundo musical.

Este album — The Remixes 2002-2005 — tem uma particularidade, que tanto quanto sei é totalmente original. Paradoxalmente, não sei dizer se isto é um album simples ou duplo, pois traz dois CDs, mas apenas um deles contém música. O outro é um simples CDR virgem, com o logotipo dos Jazzanova. No leaflet do album pode ler-se a explicação:

2 options how to use bonus do it yourself cd-r

1. insert the "jazzanova remixes" red cd into your computer
click on link to jazzanova exclusive download area & do online
download exclusive jazzanova music
burn on the silver cd

2. use bonus cd-r do copy "jazzanova remixes" for a friend, for the car...

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Mais um DJ set



Acabei de colocar na minha página pessoal o meu último DJ set (DJset5.mp3), com quase 74 minutos (a dimensão standard de um CD de audio). Lá pelo meio pode-se encontrar um easter egg... ;)

Update: a tracklist deste DJ-set.